Relembrar é viver
25/04/08 - 18:03
Colegas, no site da revista Caros Amigos, eu recomendo com empolgação a leitura de The ethnic cleansing of Palestine, de Ilan Pappe. Cabem algumas observações:
- Cheguei até essa obra por sugestão do Idelber Avelar, dentro do Clube de Leituras que mantém em seu excelente blog. No dia 9 de junho, ele e outros blogueiros também escreverão sobre o livro – obviamente, estarei de antenas ligadas;
- Na resenha procurei deixar bem claro os pontos que considerei cruciais na obra de Ilan Pappe: a limpeza étnica na Palestina empreendida por Israel na década de 40 como ponto de partida da disputa que se desenrola até hoje; a cumplicidade de países e organizações internacionais na origem e no decorrer da limpeza étnica; o modus operandi das forças israelenses; a política de apagar o passado palestino na região, defendida e empreendida por líderes sionistas; e, em menos linhas, o racismo na sociedade israelense atual e a farsa dos “processos de paz”;
- Estou aberto, claro, a críticas, correções ou adições dos leitores;
- Tenham em mente que o movimento sionista – alvo da crítica de Ilan Pappe – é em grande parte racista, e sua primeira vítima, antes mesmo dos nativos palestinos, é a valiosa herança secular e humanista de pensadores judeus. Não deve ter sido por nada que Albert Einstein recusou o convite para ser presidente de Israel. Convite feito por Ben-Gurion, que mais uma vez jogava para a platéia; no particular, entretanto, ele com certeza expressava genuína preocupação ao comentar com um partidário: “Diga o que faremos se ele disser sim!” (em Albert Einstein: A Biography, de Albrecht Folsing, Penguin USA). Em 4 de dezembro de 1948, Einstein foi um dos signatários de uma carta publicada no New York Times, demonstrando indignação em relação aos “bandos terroristas que atacaram essa pacífica vila [de Deir Yassin], que não era um objetivo militar na luta, mataram a maioria de seus habitantes – 240 homens, mulheres e crianças – e mantiveram uns poucos deles vivos para marcharem como cativos pelas ruas de Jerusalém”;
- Lamentavelmente, não há nenhum livro de Ilan Pappe traduzido no Brasil. Trata-se de um historiador corajoso, que não doura a pílula, suas obras acendem discussões por onde saem, mas aqui, até agora, só o silêncio ensurdecedor;
- Por fim, depois de ler a resenha de The ethnic cleansing, você talvez se interesse em ler (ou reler) a entrevista que fiz em 2006 com Reza Aslan. Ele é um scholar iraniano que mora nos Estados Unidos e escreve para vários veículos, autor de Not god but God: The origins, evolution and future of Islam (Arrow Books, 2006). A entrevista também entrou no site da Caros, mas depois saiu. Salvei aqui no blog.
É isso. Agora, à Caros Amigos.
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